Imagine um futuro em que a burocracia na saúde seja coisa do passado, onde a tecnologia agilize processos e facilite o acesso a serviços de qualidade. Esse futuro já é uma realidade em construção e a revolução digital na saúde suplementar é o motor dessa transformação.
Hoje, vivenciamos uma revolução profunda no setor de saúde suplementar, impulsionada pela inovação tecnológica que tem simplificado e agilizado os processos tanto para operadoras quanto para prestadores e beneficiários. A utilização de aplicativos para localizar serviços de saúde até o atendimento automatizado em hospitais exemplifica o impacto positivo da digitalização e que está presente em todo o ecossistema de saúde.
Esta evolução, no entanto, é fruto de décadas de mudanças, regulamentações e aprimoramentos operacionais que têm colocado a qualidade do atendimento e a transparência no centro da gestão da saúde.
Digitalização dos processos
Segundo pesquisa realizada pela Deloitte em 2023, 78% dos usuários de planos de saúde relataram melhora significativa na agilidade dos serviços devido à digitalização dos processos.
A transição do papel para o digital, entretanto, não se restringiu apenas ao atendimento ao beneficiário. Operadoras e prestadores passaram por uma verdadeira revolução interna, com a automação de processos antes manuais, como credenciamento, negociação de reajustes, faturamento e reembolsos.
Entre as tendências emergentes, podemos destacar:
Desafios enfrentados pelas operadoras na gestão da rede credenciada
Apesar dos avanços tecnológicos, muitas operadoras ainda enfrentam dificuldades na administração da rede credenciada. Um dos principais desafios incluem a dificuldade em localizar novos prestadores, a lentidão com o processo de credenciá-lo e posteriormente, a manutenção dos seus dados e documentos atualizados no ERP da operadora.
Além disso, a falta de integração entre sistemas internos compromete a atualização rápida de dados críticos, como valores negociados e aditivos. Isso gera inconsistências e traz dificuldade para a comunicação e a implementação de novas regras contratuais em toda a rede credenciada.
E não para por aqui. Os desafios continuam no momento de aplicar reajustes anuais nas negociações da rede, ou seja, na simulação de impactos e na aplicação dos reajustes em massa.
Toda essa falta de interprocesso na comunicação resulta diretamente na operação financeira das operadoras. Afinal, ao longo dos anos, elas relataram que até 53% das glosas estão relacionadas a divergências entre os valores cobrados e os valores negociados, por erros operacionais de ambas as partes.
Soluções
Uma plataforma de gestão integrada pode transformar a maneira como as operadoras administram sua rede credenciada, eliminando barreiras operacionais e trazendo mais eficiência para os processos. E o que vou contar agora não é futuro, é algo que está bem aqui, acessível para todos nós.
“Mas, como funciona?”, você deve estar se perguntando. A partir de um ambiente digital centralizado, torna-se possível localizar e credenciar novos prestadores de forma rápida, reduzindo significativamente o tempo do processo e garantindo que toda a documentação seja enviada e validada corretamente.
Após a conclusão, os dados dos prestadores são automaticamente organizados e mantidos atualizados, de forma centralizada, eliminando erros manuais e por falta de integração com o ERP da operadora.
Hoje, inclusive, é exatamente a falta de integração entre os sistemas internos das operadoras que frequentemente geram atrasos e problemas no fluxo de dados. Com um sistema que centraliza contratos e documentos, essa dificuldade é superada, permitindo que todas as áreas da empresa tenham acesso a informações atualizadas e, melhor, em tempo real, sem a necessidade de ações manuais demoradas. Dessa forma, a gestão da rede credenciada, além de mais assertiva e segura, ganha maior controle sobre os vínculos contratuais.
Os desafios na aplicação de reajustes anuais também são minimizados com o uso de uma plataforma de gestão integrada. A simulação de impacto financeiro, que antes demandava um esforço manual extenso, pode ser realizada de forma automatizada e estratégica, o que permite a comparação de cenários e a aplicação de reajustes com mais precisão.
Além disso, a possibilidade de negociações em massa (ponto que falei lá atrás a respeito de dificuldade) reduz o tempo necessário para renegociar contratos, garantindo que as novas condições sejam aplicadas de forma uniforme e sem risco de divergências futuras.
Todo esse processo reduz os casos de glosas causadas por tabelas desatualizadas, eliminando divergências entre valores cobrados e valores negociados. Um exemplo disso é o vencimento de um documento como um alvará ou um contrato vencido. Ele causa transtorno a ambas as partes.
O prestador não recebe pelo serviço e a operadora deixa de atender seu beneficiário. Em alguns casos, ainda, pode gerar NIPS. Já com um sistema estruturado para a gestão da rede, a operadora passa a ter maior previsibilidade financeira, o que reduz erros e transparência em toda a cadeia de serviços.
Digitalização de processos internos não é tendência, mas realidade
Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), em seu relatório Transformação Digital no Setor de Saúde Suplementar (janeiro de 2024), a digitalização dos processos internos contribuiu para uma redução de até 35% nos índices de glosas e erros contratuais. Tais avanços não só aprimoram a gestão operacional, mas também repercutem diretamente na experiência dos beneficiários.
Em maio de 2023, o relatório Tendências em Saúde Digital, da Deloitte, já apontava a importância da integração digital e a eficiência operacional, fortalecendo o impacto digitalização na comunicação e gestão entre operadoras e prestadores. Nesse estudo, o destaque foi a melhoria na agilidade dos serviços e na redução de custos administrativos.
O futuro é agora
Em breve, estaremos com ferramentas cada vez mais capacitadas, que vão proporcionar para operadoras e prestadores: redução do esforço operacional, rastreamento e transparência total, gestão eficiente da rede credenciada, estudos e relatórios que atendem às exigências da ANS, negociações rápidas e seguras, eliminação de papelada e redução de glosas e falhas contratuais.
O futuro da saúde já começou, e ele é digital, ágil e acessível. A tecnologia está quebrando barreiras, aproximando operadoras, prestadores e beneficiários em um ecossistema mais eficiente.
Estamos entrando em uma nova era, onde a burocracia cede espaço para a inovação, onde processos antes demorados agora acontecem com um clique, e onde a qualidade do atendimento se torna o verdadeiro foco.
Essa revolução não é apenas sobre sistemas e automação, mas sobre cuidar das pessoas de forma mais humana, inteligente e conectada.
O amanhã nos reserva uma saúde mais justa, integrada e sem fronteiras. E esse futuro já está ao nosso alcance.
*César Camargo