Nos últimos cinco anos, a Unimed Criciúma tem se destacado pelo crescimento em número de beneficiários, estrutura e resultados operacionais. A cooperativa é líder em Santa Catarina e figura entre as melhores do Brasil no setor, segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), graças a um modelo de gestão eficiente que alia a qualidade nos serviços prestados à excelência operacional.
Um dos aspectos mais relevantes que explicam esse crescimento é a capacidade da empresa de expandir suas operações em um curto período de tempo, mantendo resultados operacionais e líquidos bem acima da média das operadoras de saúde.
Leandro Avany Nunes, presidente do Grupo Unimed Criciúma, explica que a cooperativa ampliou o seu compromisso com a remuneração justa dos cooperados sem comprometer a perpetuidade do negócio. Assim, o valor da consulta médica é o maior praticado entre as cooperativas médicas do Brasil.
Em 2019, a Unimed Criciúma tinha cerca de 500 colaboradores, um hospital de 60 leitos, um faturamento de R$ 277 milhões e uma margem de resultado líquido inferior a 3%. Já em 2024, a cooperativa cresceu exponencialmente, com mais de 1.600 colaboradores, três hospitais, duas redes de laboratórios, faturamento de R$ 800 milhões e margem líquida superior a 13%.
Ela também evoluiu significativamente nos resultados operacionais. Em 2019, ocupava a 50ª posição no ranking das cooperativas médico-hospitalares; em 2023, alcançou o 7º lugar no Brasil. Também foi destaque em Santa Catarina, ficando em 2º lugar em margem de lucro líquida e liderando em resultado operacional nos últimos três anos.
Como a Unimed Criciúma alcançou esses resultados?
A chave para todo esse sucesso reside na implementação e no fortalecimento de um modelo de gestão baseado em cinco pilares estratégicos:
De acordo com Peter F. Drucker, “lucros são o que o oxigênio, a comida, a água e o sangue representam para o corpo. É uma condição para a existência, mas não é o objetivo em si”. Dessa forma, esses pilares representam os elementos que orientam as ações da cooperativa na busca por resultados consistentes e sustentáveis, sempre priorizando a agregação de valor para os beneficiários e cooperados.
1 ° pilar: controle de despesas
O controle de despesas é fundamental para uma gestão eficiente na operadora de saúde, com foco em fazer mais com menos. Estima-se que 20% dos funcionários em cada setor sejam desnecessários, sendo fundamental realizar demissões, conforme a visão de Steve Jobs: “Se você nunca demite alguém, nunca terá uma empresa exemplar”. Isso reforça a importância de manter apenas os profissionais alinhados aos objetivos da empresa, garantindo um time mais eficiente e focado. Há uma citação de Luca Pacioli que complementa tal visão: “Elimine todos os administradores ou juntos dispensaremos a administração”. Isso sugere que a redução de excessos administrativos pode ser essencial para um modelo de gestão mais ágil e eficaz.
Outros aspectos importantes para uma gestão eficiente incluem as negociações constantes de valores de materiais, medicamentos, contratos e OPME (órteses, próteses e materiais especiais). Um exemplo prático disso é o processo de validação de todas as despesas antes do pagamento, realizado diretamente por um diretor. Por exemplo: na compra de um item simples, como manteiga, é possível substituir o produto por uma marca de melhor qualidade e menor preço, gerando economia imediata. No livro Dobre Seus Lucros, Bob Fifer afirma que todas as despesas podem ser reduzidas, sugerindo uma abordagem direta: “assine você mesmo todos os cheques”.
Outra estratégia simples e eficaz para reduzir custos é enviar uma carta a todos os fornecedores solicitando um desconto de 20% nos contratos. Surpreendentemente, mais de 90% aceitarão sem questionar, resultando em uma economia significativa ao longo do ano. Esses são apenas alguns exemplos práticos de um trabalho mais amplo que vem sendo realizado no controle de despesas, tema que será detalhado em outro artigo.
2° pilar: gestão de sinistralidade
A gestão de sinistralidade é um dos maiores desafios para as operadoras de saúde, exigindo inovação e estratégias eficazes, já que muitos procedimentos e consultas, de 20 a 40%, podem ser desnecessários. Para mitigar esse problema, é fundamental a adoção de uma controladoria bem estruturada, com medidas como alertas para médicos sobre exames solicitados, comparações de desempenho online, visitas de médicos controladores e pagamento por desempenho.
Além disso, também podem ser adotadas práticas como a avaliação rigorosa de exames, análise de resultados de laboratórios próprios, reuniões frequentes para discutir desempenho e acompanhamento de pacientes em uso de imunobiológicos.
Na Unimed Criciúma, a perícia e a auditoria de todos os pacientes são vistas como fundamentais para evitar o que é conhecido como “plano de doença”, em vez de um verdadeiro plano de saúde. A inovação em novos produtos e a utilização rigorosa de coparticipação também são ações-chave para o sucesso dessa gestão.
3° pilar: beneficiários
O crescimento do número de beneficiários é vital para a sustentabilidade das operadoras de saúde, sendo essencial aumentar o número de vidas atendidas sem comprometer a qualidade. Para isso, as vendas devem ser qualificadas, com uma equipe comercial alinhada à direção.
A Unimed Criciúma, por exemplo, realiza seis pregões de vendas anuais e lança quatro novos produtos a cada ano. O crescimento também depende de ações contínuas, como o gerenciamento de beneficiários excluídos, o tratamento de inadimplentes, a aquisição de novos beneficiários e o desenvolvimento de novos produtos para o mercado.
Com processos bem definidos e metas claras, a cooperativa aumentou em 34% o número de beneficiários, passando de cerca de 64 mil em 2019 para mais de 84 mil em 2024. Esse crescimento foi acompanhado de melhorias nos serviços, refletidas em um índice de aprovação dos clientes superior a 80% nos últimos cinco anos. Além disso, a Unimed investe 0,7% de seu faturamento em marketing, acreditando que é essencial para o fortalecimento da marca e seu crescimento no mercado.
4º pilar: expansão de negócios
A diversificação de negócios é essencial para o crescimento e a sustentabilidade de uma operadora de saúde, pois a dependência exclusiva de planos de saúde pode torná-la vulnerável. Ter serviços hospitalares próprios, por exemplo, tornou-se uma condição fundamental para alcançar bons resultados.
Nos últimos cinco anos, a Unimed Criciúma investiu significativamente em várias áreas, como a ampliação do Hospital Unimed Criciúma (HUC), que dobrou sua capacidade, e a aquisição de duas grandes empresas: o Hospital São João Batista e o Laboratório Búrigo. A cooperativa também investiu na construção de um hospital em Araranguá e na criação de novos negócios, como a clínica Evoloo, a farmácia Unifarma (com faturamento anual de R$ 12 milhões), uma distribuidora de materiais e medicamentos, e lançou um plano de benefícios totalmente digital, o Unidigital. A busca por novas fontes de receita fortalece a operadora, agregando lucro e melhorando a remuneração dos cooperados.
5º pilar: estímulo à inovação
Há quatro anos, a Unimed Criciúma criou o Centro de Inovação, com um grupo dedicado a desenvolver soluções criativas para os desafios da operadora. Desde então, o centro implementou 120 projetos inovadores, incluindo o lançamento do aplicativo próprio com a modalidade “Consulta Já”, que permite o agendamento de consultas de forma prática, similar ao modelo Uber.
A operadora também se mantém ativa no relacionamento com o seu ecossistema de inovação. Nos últimos anos, a empresa estabeleceu parcerias com centros renomados como Zlabs, Unimed LAB e DAO Global HealthTechs.
Pilares desenvolvidos pelo presidente do Grupo Unimed Criciúma
O sucesso da cooperativa nos últimos cinco anos é atribuído em grande parte à liderança de Leandro Avany Nunes, presidente do Grupo Unimed Criciúma desde 2019. Médico de destaque, ele possui uma sólida carreira e, antes de assumir a presidência, atuou como diretor administrativo do Hospital Unimed Criciúma de 2007 a 2015 e como administrador do Hospital São João Batista entre 2016 e 2017.
Com especialização em Administração Hospitalar, Gestão de Saúde, Finanças e Inovação, Nunes se destaca por sua visão estratégica e expertise em gestão hospitalar. Com os notórios resultados, o presidente foi convidado para palestrar em grandes eventos no último ano, inclusive a nível nacional, onde expandiu as técnicas dos cinco pilares que contribuem para o sucesso da instituição.
Na visão do presidente da Unimed Criciúma, “a ANS, o Poder Judiciário, a sinistralidade e a disrupção técnica são desculpas que nós, gestores, usamos quando não conseguimos obter resultados”. Ao seguir os cinco pilares, “é possível alcançar bons resultados em uma operadora de plano de saúde em qualquer lugar do Brasil”, conclui Nunes.