Custo do tratamento de AVC no Brasil chega a US$ 27,4 mil por paciente, aponta estudo
10/03/2025

O estudo “Cost evaluation of acute ischemic stroke in Latin America: a multicentric study”, publicado em janeiro de 2025 na The Lancet Regional Health – Americas, revelou que o custo médio do tratamento de um paciente com acidente vascular cerebral (AVC) na América Latina é de US$ 12,2 mil. No Brasil, esse valor é significativamente mais alto, chegando a US$ 27,4 mil por paciente.  

A pesquisa foi liderada pela médica neurologista Ana Cláudia de Souza, do Hospital Moinhos de Vento, que coordenou o estudo em oito países da região. O projeto também contou com a participação da neurologista Sheila Cristina Ouriques Martins, chefe do serviço de neurologia e neurocirurgia do hospital. 

Foram analisados dados de 1.106 pacientes diagnosticados com AVC isquêmico agudo em centros especializados na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Peru e Uruguai. No Brasil, 157 pacientes foram incluídos na amostra. 

Principais fatores de custo 

O estudo avaliou os recursos utilizados durante toda a internação hospitalar, considerando salários de profissionais, estrutura hospitalar, exames, procedimentos, medicamentos prescritos e tratamentos de reperfusão, como trombólise endovenosa e trombectomia mecânica. 

Os custos mais elevados foram associados ao uso da infraestrutura hospitalar, especialmente em setores como angiografia e Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Além disso, os custos aumentaram conforme o risco clínico dos pacientes, sendo o tempo de internação o principal fator de variação entre os países. O estudo também identificou diferenças nos custos relacionados ao trabalho dos profissionais de saúde, sendo o Chile o país com os maiores valores, seguido pelo Brasil. 

Impacto econômico e necessidade de prevenção 

A pesquisa reforça uma preocupação crescente com a incidência de AVC, especialmente entre populações mais jovens e em países de baixa e média renda. Estima-se que o número de mortes pela doença possa aumentar em 50% até 2035, elevando os custos globais relacionados ao AVC de US$ 891 bilhões para US$ 2,31 trilhões por ano. 

No Brasil, o AVC é a principal causa de morte e incapacitação. Em 2023, foram registrados 109.560 óbitos pela doença, segundo dados da Associação de Registradores de Pessoas Naturais (Arpen Brasil). 

A neurologista Ana Cláudia de Souza destaca que hábitos prejudiciais à saúde, como tabagismo (incluindo o uso de vapes entre jovens), consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e sedentarismo, contribuem para o aumento dos casos. “Investimentos em campanhas de conscientização e prevenção são essenciais para reduzir a incidência da doença e, consequentemente, os custos com o tratamento”, afirma. 

Redução de custos e ampliação do acesso ao tratamento 

O estudo aponta que disparidades no acesso à informação, medidas preventivas, assistência médica e infraestrutura hospitalar impactam o tratamento do AVC, especialmente em países de renda baixa e média. Para a neurologista, medidas como padronização de protocolos hospitalares, otimização de recursos e melhorias na qualidade assistencial podem reduzir custos e aumentar a eficiência do atendimento. 

Além disso, o envolvimento do setor público e privado na estruturação das redes de atendimento ao AVC é essencial. “O diálogo entre governo, gestores de saúde e empresas desempenha um papel fundamental para garantir investimentos em infraestrutura, profissionais, medicamentos e programas sustentáveis de prevenção e tratamento”, conclui Ana Cláudia. 





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